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sábado, 24 de maio de 2014

Tapera assombrada


Tapera assombrada

  O povo comenta muito em tapera assombrada, porteira que abre sozinha, a grota que geme, o grito da serra, a morada do Caipora, gato preto na sexta-feira...

__ Vamos lá, cale a boca e feche os olhos...

__ Que você vai fazer? –disse minha tia – isto é besteira ali nunca vi nada, isto é piada.

  Mas fui cheguei no poço d’água, vi um diamante no chão... mentira! Eu não vi, nem ouvi é nada... só queria sua atenção....

 



Contos do Pedro do Urias - A mulher do Lampião


A mulher do Lampião

  Dizem que a mulher do Lampião foi roubada pelo Coronel.  Lampião era poderoso e queria se vingar, arrumou então seus capatazes e se puseram a caminho.

  O coronel ficou sabendo e escondeu a Mariazinha no cafezal, aí que foi o prejuízo, Lampião sem saber atirou fogo no cafezal.  Mariazinha saiu correndo para o seu coronel encontrar,    passando pelo fogo, mas quando foi atravessar o rio, sua canoa furou e o coronel agitado pelo calor dos acontecimentos não teve coragem de enfrentar as águas.

   Foi então que Lampião apareceu com sua equipe e  salvou a sua mulher.  Houve uma grande rivalidade entre os dois porque o coronel gostava de Mariazinha, mas nunca conseguiu ter a Mariazinha, e o Lampião agora passou a perseguir o coronel.

  Uma vez numa festa na casa do Zé Canudo, Lampião foi e levou sua querida, e na hora da dança na troca de casais foi aquela briga, pois o desavergonhado do coronel chamou Mariazinha para dançar, Lampião não deixou e a festa acabou em tiros, e o coronel morreu.

 

Chico Mendes


Chico Mendes

    Chico Mendes era um mineiro de Colatina, era um homem perigoso que tinha muitos jagunços e gostava de mulher morena.  Chico Mendes se casou com a filha do Zé Gavião, homem abastado e era irmão do Padre José Pimenta, do tipo: que mexe, mas não agüenta.

  Chico foi morar no Sertão, adquiriu oito filhos homens e três filhas  mulheres, que como ele gostavam muito de dançar, jogar e boiada... e sempre Chico aprontava com sua valentia. Um dia o padre o chamou e disse:

__ Chico, você tem que deixar esta valentia, porque aqui no sertão é perigoso, e aqui tem um justiceiro, vingador e não quero que você arrume problemas com essa gente...

  Mas Chico Mendes não obedeceu, e um dia acabou vazando fogo num sertanejo dali.  O cabra não morreu, mas ficou sendo inimigo dele.

  Num dia de eleição no povoado de Mandinga, acontecia uma briga de galos: Um carijó e outro preto, Chico Mendes chegou e berrou fogo no galo carijó e depenou vivo o galo preto.   Ficou ainda mais famoso e mais odiado pelo sertanejo, acabando assim com a briga de galos do povoado.

  O fim de Chico Mendes, ninguém sabe não, só sei que o padre levou uma surra quando os sertanejos descobriram que Chico era o seu irmão.


 
   É importante destacarmos que a prática de briga de galos constitui crime de crueldade contra os animais previsto no artigo 32 da Lei nº 9605/98, cuja pena vai de 03 (três) meses a 01 (um) ano de detenção além do pagamento de multa. A pena sofre aumento se ocorre morte do animal. Além de constituir também contravenção penal de jogo de azar, prevista no artigo 50 do Decreto-lei nº 3688/41, com pena de prisão simples de 03 (três) meses a 01 (um) ano, além da multa e perda dos móveis e objetos decorativos do local.
 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O canto do sabiá


O canto do sabiá

Sabiá laranjeira
 
  Diziam os antigos, isto muitos me falaram: que o sabiá só canta se Deus a chuva mandar.  Lá no quintal da dona Ana, vi o pássaro cantando no pé de manga onde morreu meu avô: __ tio tio – ele cantava muito bem, dava pra ver que estava apaixonado e queria se esconder...

Manga
 
  Levantavam de madrugada, para ouvir ele cantar, mas ele tinha fugido para o sertão do Paraná.  Ninguém mais ouviu o seu :__  tio tio – naquele lugar.

  Eu não sei se é verdade, que o sabiá cantou, mas dizendo o povo da cidade ele era o meu avô. Dizem que até hoje o sabiá canta na gameleira dos rincões, ele perdeu a companheira no mudar da estação.
 
Gameleira
 

  Você conhece o sabiá? Não? Nem eu... só sei que ele é cantor-mor da mata, é campeão, que no seu ninho tem filhotes e que vai comer o seu jamelão.

Jamelão ou jambolão
 
 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma mulher bonita!



Uma mulher bonita!

  Quando eu morava no Paraná, ouvia sempre contar a história de uma mulher bonita, mas era muito bonita mesmo!  Um dia pensei, vou conhecer essa danada, seja solteira ou casada eu vou a encontrar.

  Saí de mula pelo deserto, andei longe, andei perto...  Já cansado de procurar encontrei um velhinho que me perguntou:

__ Onde você vai?

__ Estou procurando uma mulher bonita – disse eu – mas é bonita mesmo! A mais bonita do Sertão...

__ Meu filho, você não vai achar não, porque eu já fiquei velho de tanto procurar ela, mas nunca a encontrei.

  Agradeci a informação e piquei a mula, sem saber que direção tomar, fui andando sem parar, queria essa mulher achar, para levar ela na garupa da mula, para o meu povo ver que o valentão do Sertão conseguiu a encontrar.

  Viajei por muitos anos e a minha mula morreu, comprei um burro do cigano e continuei meu destino, chegando já em Pirapora resolvi descansar.  Dando uma volta na cidade a cigana leu a minha mão:

__Filho – disse ela – aquilo que você procura quando achar não vai querer mais voltar, vai ficar decepcionado e com vontade de morrer...

 

   Paguei a filha da mãe e continuei a caminhar.  Um dia sem esperar achei a mulher: bonita, mas bonita mesmo! E solteirinha...  Eu já tava maduro, pronto pra casar, a pedi em casamento e logo a levei para o altar.  Mal cabia em mim de tanta felicidade, fiz a festa mais bonita da cidade...  a cigana errara feio...

  Mas feia era a minha sina e eu não sabia, o tempo passou e a bonita ficou muito feia, mas feia mesmo! Cada vez que eu olhava nela via a morte refletida, a minha morte, peguei o burro e fugi pro sertão de Goiás, moço pra lá eu não volto nunca mais!
 
 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Gameleira Torta



A Gameleira Torta

  Conta-se que um fazendeiro era muito miserável, não dava nada para ninguém, nem mesmo comida, e também não gostava de visitas mas gostava muito de caçar onça.


Onça pintada
  Um dia um rapaz muito inteligente disse:

__ Eu vou comer e beber com esse fazendeiro!

   Levantou cedo e foi para a fazenda desse senhor.  Quando chegou ali os peões estavam tirando leite no curral e o fazendeiro ficou irado quando viu o rapaz, o rapaz estava calado e quieto num canto.  De repente o rapaz começou a falar:

__ Mas que vaca bonita! Mas que boi bacana, que cavalo bom...

 Mas o fazendeiro nem olhava...

  Veio saindo um cachorro magro, ele abraçou o vira-lata e disse:

__ Que cão valoroso, isto na caçada de onça deve dar gosto...

  Então o fazendeiro se interessou, e perguntou:

__ Você caça onça?

  O rapaz disse:

__ Sim, para  mim o melhor divertimento é caçar onça...

  Então o fazendeiro o chamou para dentro, foram para a cozinha, mandou servir biscoito com leite e café para o rapaz, apresentou suas filhas para o rapaz e disse:

__ Esse moço é campeão, é matador de onças, e se ele matar a onça que está comendo os meus bezerros, vai casar com uma de vocês.

   Após tomarem o café, o fazendeiro levou o rapaz ao quarto e mostrou as suas armas, perguntou:

__ Você gostou das armas?

__ sim - ele respondeu.

__Qual delas mais te interessou? - perguntou o fazendeiro.

  O rapaz então pegou uma espingarda com dois canos e disse:

__ Gostei dessa.

  O fazendeiro sorriu e disse:

__ Escolheste bem, esta arma é herança do meu pai...

  O rapaz armou a espingarda e como não sabia desarmar, pos ela em pé na parede.  O fazendeiro então perguntou:

__ Não vai desarmar?

__ Não – respondeu o rapaz – eu gosto de deixar ela armada para amanhã...

  O fazendeiro desarmou a espingarda e disse:

__ Cuidado isso é muito perigoso!

  Depois de almoçar, jantar e pousar na casa do fazendeiro, logo pela manhã o fazendeiro arriou dois cavalos, montaram e lá se foram caçar a onça.  O rapaz estava morrendo de medo, pois nem sabia atirar, muito menos havia caçado uma onça...
Gameleira - Ficus adhatodifolia

  Chegaram a um certo lugar, numa gameleira torta, então o fazendeiro disse:

__ É aqui que a onça some, você fica aqui e prega fogo na pintada, se matar ela já sabe, vai se casar com uma de minhas filhas... eu vou lá para o fundo da mata soltar os cachorros...

  Lá se foi o fazendeiro e o rapaz com medo resolveu subir na gameleira.   O fazendeiro soltou os cachorros e logo a barulhada começou, os cachorros latindo acuando a
                                                                                     
onça e a onça correndo, e o rapaz tremendo de medo em cima da gameleira.   

  De repente o barulho acabou, a onça subiu na árvore onde estava o rapaz e os cães a perderam de vista...   O rapaz, morto de medo, enfiou a  espingarda na onça e o tiro acidentalmente disparou...

Gameleira
 
  Caíram juntos...  a onça morta e o rapaz vivo.  O fazendeiro chegou todo feliz, abraçou o moço e disse:

__ Muito bem, você provou que é muito valoroso, e vai fazer parte da minha família, afinal matou a onça!

  Cortaram um a vara, amarraram a onça: pés e mãos e foram levando a onça para mostrar a todos da fazenda e da vizinhança.  O fazendeiro na frente e o rapaz atrás.    No caminho sentiram sede e desceram a mina do Buriti para tomar água.   Após tomarem água resolveram mudar de posição o rapaz na frente para todos verem como era valente o futuro genro.

  Mas um cheiro forte insuportável incomodou o fazendeiro que disse:

__ Essa onça ta fedendo – foi então que viu um bago de feijão no calcanhar do rapaz...

  Sem ter  como disfarçar que quem fedia era ele, o rapaz disse rapidamente:

__ Oh me perdoa senhor, mas é que na minha família, a gente fica tão feliz de matar uma onça, que a gente nem consegue se segurar, e eu acabei fazendo minhas necessidades na calça...

frutos da gameleira
  O fazendeiro ou engoliu a mentira deslavada, ou tinha medo que as filhas ficassem para titia, não sei, o certo é que o rapaz acabou se casando com a filha do fazendeiro e tornando-se um herói, um caçador de onças.
 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Trilhando o caminho: devagar e sempre!

           A divulgação do livro foi pequena, a edição restrita e limitada, mas estamos nos últimos exemplares.  Há dias em que meu pai fica triste, por estar longe da direção de um congregação, ele vive dizendo que ainda tem muito para fazer para Deus.   O consolamos dizendo que já fez muito e que agora deve partir para outra coisa, escrevendo e contando o que já recebeu de Deus...
       Ele continua escrevendo e compondo incansavelmente, ele tem muito para escrever, já produziu muito! mas se quer vê-lo feliz é só convidá-lo para cantar, pregar e expor sua obra...
       E muitos irmãos tem feito esse convite e ele fica muito feliz.  Se alguém quiser convidá-lo pode entrar em contato pelo e-mail: silsaberias@hotmail.com ou fone: 34115191 e falar diretamente com ele.
        Estaremos postando  também seus demais livros: "Contos do Pedro do Urias", "Contos Cumarinos",Contos Infantis... que você embarque nesta viagem cheia de emoções e de histórias da nossa terra natal: Cumari Goiás, por hora fiquem com Deus.  Sigam o Blog, acesse os vídeos no Youtube, acompanhem o trabalho e a vida do Pastor Pedro Lourenço.