Páginas

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A galinha que comeu pimenta


A galinha que comeu pimenta

    Certa vez, uma galinha estava debaixo do pé de pimenta comendo pimenta, ta comendo pimenta, ta comendo pimenta, e uma pimenta despregou do pé e caiu na cabeça dela.  Como galinha é um bicho nada inteligente, saiu correndo gritando:

__ Socorro, me acudam, o mundo vai acabar!

  O pato ouvindo aquele alvoroço disse:

__ Minha Nossa Senhora, o mundo vou acabar! – e correu junto com a galinha...

  No meio do caminho encontraram o marreco que perguntou:

__ O que ta acontecendo?

  Contaram a história do fim do mundo e lá se foi a galinha, o pato e o marreco, cada vez mais aumentava os que acreditavam na galinha e o alvoroço aumentava, a correria também: o galo, os pintinhos, as galinha d’angola, os perus, as codornas, os cachorros, o gato da casa, embrenharam-se na mata, procurando abrigo pois era o fim do mundo.

  Mas o alvoroço não terminou por aí ao contrário só cresceu entre os bichos da floresta: micos , macacos, pássaros... todos perdidos, correndo sem saber para onde ir, fugindo do fim do mundo.  Os humanos não entendiam nada só acompanhavam o rebuliço...

  Então chegaram as margens do rio e surge um novo dilema: Como atravessar...

  Os macacos, micos e o gato disseram:

__ Nos pulamos! - e pularam.

  O galo, os perus, as codornas, os pássaros e as galinhas disseram:

__ Nós voamos – e voaram

   O pato, os marrecos e os cachorros disseram:

__ Nós nadamos – e nadaram.

  Mas a margem era muito larga, e os macacos, gatos, micos, e algumas galinhas caíram no poço e morreram afogados, os que conseguiram atravessar continuaram correndo até que encontraram uma raposa que muito esperta disse:

__ Eu sei de um lugar onde todos podem se esconder, é um lugar seguro!

  E todos seguiram felizes, a raposa até uma pequena caverna, que na verdade era a toca da raposa, que se fartou com os pássaros e galináceos...

  Moral da história? O mundo realmente acabou para eles, tudo porque seguiram uma galinha desmiolada! E a culpa foi de quem? Tudo culpa de um galo que não soube por ordem no seu terreiro!

 

sábado, 24 de maio de 2014

Tapera assombrada


Tapera assombrada

  O povo comenta muito em tapera assombrada, porteira que abre sozinha, a grota que geme, o grito da serra, a morada do Caipora, gato preto na sexta-feira...

__ Vamos lá, cale a boca e feche os olhos...

__ Que você vai fazer? –disse minha tia – isto é besteira ali nunca vi nada, isto é piada.

  Mas fui cheguei no poço d’água, vi um diamante no chão... mentira! Eu não vi, nem ouvi é nada... só queria sua atenção....

 



Contos do Pedro do Urias - A mulher do Lampião


A mulher do Lampião

  Dizem que a mulher do Lampião foi roubada pelo Coronel.  Lampião era poderoso e queria se vingar, arrumou então seus capatazes e se puseram a caminho.

  O coronel ficou sabendo e escondeu a Mariazinha no cafezal, aí que foi o prejuízo, Lampião sem saber atirou fogo no cafezal.  Mariazinha saiu correndo para o seu coronel encontrar,    passando pelo fogo, mas quando foi atravessar o rio, sua canoa furou e o coronel agitado pelo calor dos acontecimentos não teve coragem de enfrentar as águas.

   Foi então que Lampião apareceu com sua equipe e  salvou a sua mulher.  Houve uma grande rivalidade entre os dois porque o coronel gostava de Mariazinha, mas nunca conseguiu ter a Mariazinha, e o Lampião agora passou a perseguir o coronel.

  Uma vez numa festa na casa do Zé Canudo, Lampião foi e levou sua querida, e na hora da dança na troca de casais foi aquela briga, pois o desavergonhado do coronel chamou Mariazinha para dançar, Lampião não deixou e a festa acabou em tiros, e o coronel morreu.

 

Chico Mendes


Chico Mendes

    Chico Mendes era um mineiro de Colatina, era um homem perigoso que tinha muitos jagunços e gostava de mulher morena.  Chico Mendes se casou com a filha do Zé Gavião, homem abastado e era irmão do Padre José Pimenta, do tipo: que mexe, mas não agüenta.

  Chico foi morar no Sertão, adquiriu oito filhos homens e três filhas  mulheres, que como ele gostavam muito de dançar, jogar e boiada... e sempre Chico aprontava com sua valentia. Um dia o padre o chamou e disse:

__ Chico, você tem que deixar esta valentia, porque aqui no sertão é perigoso, e aqui tem um justiceiro, vingador e não quero que você arrume problemas com essa gente...

  Mas Chico Mendes não obedeceu, e um dia acabou vazando fogo num sertanejo dali.  O cabra não morreu, mas ficou sendo inimigo dele.

  Num dia de eleição no povoado de Mandinga, acontecia uma briga de galos: Um carijó e outro preto, Chico Mendes chegou e berrou fogo no galo carijó e depenou vivo o galo preto.   Ficou ainda mais famoso e mais odiado pelo sertanejo, acabando assim com a briga de galos do povoado.

  O fim de Chico Mendes, ninguém sabe não, só sei que o padre levou uma surra quando os sertanejos descobriram que Chico era o seu irmão.


 
   É importante destacarmos que a prática de briga de galos constitui crime de crueldade contra os animais previsto no artigo 32 da Lei nº 9605/98, cuja pena vai de 03 (três) meses a 01 (um) ano de detenção além do pagamento de multa. A pena sofre aumento se ocorre morte do animal. Além de constituir também contravenção penal de jogo de azar, prevista no artigo 50 do Decreto-lei nº 3688/41, com pena de prisão simples de 03 (três) meses a 01 (um) ano, além da multa e perda dos móveis e objetos decorativos do local.
 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O canto do sabiá


O canto do sabiá

Sabiá laranjeira
 
  Diziam os antigos, isto muitos me falaram: que o sabiá só canta se Deus a chuva mandar.  Lá no quintal da dona Ana, vi o pássaro cantando no pé de manga onde morreu meu avô: __ tio tio – ele cantava muito bem, dava pra ver que estava apaixonado e queria se esconder...

Manga
 
  Levantavam de madrugada, para ouvir ele cantar, mas ele tinha fugido para o sertão do Paraná.  Ninguém mais ouviu o seu :__  tio tio – naquele lugar.

  Eu não sei se é verdade, que o sabiá cantou, mas dizendo o povo da cidade ele era o meu avô. Dizem que até hoje o sabiá canta na gameleira dos rincões, ele perdeu a companheira no mudar da estação.
 
Gameleira
 

  Você conhece o sabiá? Não? Nem eu... só sei que ele é cantor-mor da mata, é campeão, que no seu ninho tem filhotes e que vai comer o seu jamelão.

Jamelão ou jambolão
 
 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma mulher bonita!



Uma mulher bonita!

  Quando eu morava no Paraná, ouvia sempre contar a história de uma mulher bonita, mas era muito bonita mesmo!  Um dia pensei, vou conhecer essa danada, seja solteira ou casada eu vou a encontrar.

  Saí de mula pelo deserto, andei longe, andei perto...  Já cansado de procurar encontrei um velhinho que me perguntou:

__ Onde você vai?

__ Estou procurando uma mulher bonita – disse eu – mas é bonita mesmo! A mais bonita do Sertão...

__ Meu filho, você não vai achar não, porque eu já fiquei velho de tanto procurar ela, mas nunca a encontrei.

  Agradeci a informação e piquei a mula, sem saber que direção tomar, fui andando sem parar, queria essa mulher achar, para levar ela na garupa da mula, para o meu povo ver que o valentão do Sertão conseguiu a encontrar.

  Viajei por muitos anos e a minha mula morreu, comprei um burro do cigano e continuei meu destino, chegando já em Pirapora resolvi descansar.  Dando uma volta na cidade a cigana leu a minha mão:

__Filho – disse ela – aquilo que você procura quando achar não vai querer mais voltar, vai ficar decepcionado e com vontade de morrer...

 

   Paguei a filha da mãe e continuei a caminhar.  Um dia sem esperar achei a mulher: bonita, mas bonita mesmo! E solteirinha...  Eu já tava maduro, pronto pra casar, a pedi em casamento e logo a levei para o altar.  Mal cabia em mim de tanta felicidade, fiz a festa mais bonita da cidade...  a cigana errara feio...

  Mas feia era a minha sina e eu não sabia, o tempo passou e a bonita ficou muito feia, mas feia mesmo! Cada vez que eu olhava nela via a morte refletida, a minha morte, peguei o burro e fugi pro sertão de Goiás, moço pra lá eu não volto nunca mais!
 
 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Gameleira Torta



A Gameleira Torta

  Conta-se que um fazendeiro era muito miserável, não dava nada para ninguém, nem mesmo comida, e também não gostava de visitas mas gostava muito de caçar onça.


Onça pintada
  Um dia um rapaz muito inteligente disse:

__ Eu vou comer e beber com esse fazendeiro!

   Levantou cedo e foi para a fazenda desse senhor.  Quando chegou ali os peões estavam tirando leite no curral e o fazendeiro ficou irado quando viu o rapaz, o rapaz estava calado e quieto num canto.  De repente o rapaz começou a falar:

__ Mas que vaca bonita! Mas que boi bacana, que cavalo bom...

 Mas o fazendeiro nem olhava...

  Veio saindo um cachorro magro, ele abraçou o vira-lata e disse:

__ Que cão valoroso, isto na caçada de onça deve dar gosto...

  Então o fazendeiro se interessou, e perguntou:

__ Você caça onça?

  O rapaz disse:

__ Sim, para  mim o melhor divertimento é caçar onça...

  Então o fazendeiro o chamou para dentro, foram para a cozinha, mandou servir biscoito com leite e café para o rapaz, apresentou suas filhas para o rapaz e disse:

__ Esse moço é campeão, é matador de onças, e se ele matar a onça que está comendo os meus bezerros, vai casar com uma de vocês.

   Após tomarem o café, o fazendeiro levou o rapaz ao quarto e mostrou as suas armas, perguntou:

__ Você gostou das armas?

__ sim - ele respondeu.

__Qual delas mais te interessou? - perguntou o fazendeiro.

  O rapaz então pegou uma espingarda com dois canos e disse:

__ Gostei dessa.

  O fazendeiro sorriu e disse:

__ Escolheste bem, esta arma é herança do meu pai...

  O rapaz armou a espingarda e como não sabia desarmar, pos ela em pé na parede.  O fazendeiro então perguntou:

__ Não vai desarmar?

__ Não – respondeu o rapaz – eu gosto de deixar ela armada para amanhã...

  O fazendeiro desarmou a espingarda e disse:

__ Cuidado isso é muito perigoso!

  Depois de almoçar, jantar e pousar na casa do fazendeiro, logo pela manhã o fazendeiro arriou dois cavalos, montaram e lá se foram caçar a onça.  O rapaz estava morrendo de medo, pois nem sabia atirar, muito menos havia caçado uma onça...
Gameleira - Ficus adhatodifolia

  Chegaram a um certo lugar, numa gameleira torta, então o fazendeiro disse:

__ É aqui que a onça some, você fica aqui e prega fogo na pintada, se matar ela já sabe, vai se casar com uma de minhas filhas... eu vou lá para o fundo da mata soltar os cachorros...

  Lá se foi o fazendeiro e o rapaz com medo resolveu subir na gameleira.   O fazendeiro soltou os cachorros e logo a barulhada começou, os cachorros latindo acuando a
                                                                                     
onça e a onça correndo, e o rapaz tremendo de medo em cima da gameleira.   

  De repente o barulho acabou, a onça subiu na árvore onde estava o rapaz e os cães a perderam de vista...   O rapaz, morto de medo, enfiou a  espingarda na onça e o tiro acidentalmente disparou...

Gameleira
 
  Caíram juntos...  a onça morta e o rapaz vivo.  O fazendeiro chegou todo feliz, abraçou o moço e disse:

__ Muito bem, você provou que é muito valoroso, e vai fazer parte da minha família, afinal matou a onça!

  Cortaram um a vara, amarraram a onça: pés e mãos e foram levando a onça para mostrar a todos da fazenda e da vizinhança.  O fazendeiro na frente e o rapaz atrás.    No caminho sentiram sede e desceram a mina do Buriti para tomar água.   Após tomarem água resolveram mudar de posição o rapaz na frente para todos verem como era valente o futuro genro.

  Mas um cheiro forte insuportável incomodou o fazendeiro que disse:

__ Essa onça ta fedendo – foi então que viu um bago de feijão no calcanhar do rapaz...

  Sem ter  como disfarçar que quem fedia era ele, o rapaz disse rapidamente:

__ Oh me perdoa senhor, mas é que na minha família, a gente fica tão feliz de matar uma onça, que a gente nem consegue se segurar, e eu acabei fazendo minhas necessidades na calça...

frutos da gameleira
  O fazendeiro ou engoliu a mentira deslavada, ou tinha medo que as filhas ficassem para titia, não sei, o certo é que o rapaz acabou se casando com a filha do fazendeiro e tornando-se um herói, um caçador de onças.