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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Capítulo1


Capítulo1 - Meu nascimento
 No ano de hum mil novecentos e trinta e nove do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, no município de Cumari, estado de Goiás na Fazenda Rosa, nasce o varão: Pedro Antônio Lourenço da Silva, filho de: Urias Lourenço da Silva e Lina Maria da Silva.


   Sendo eles pessoas humildes, filhos de mineiros, mas sendo ele já nascido em Goiás, de descendência portuguesa e ela nascida em Dourados Quara de descendência alemã, ambos de procedência católica.  Recebi esse nome: Pedro Antônio por causa de votos feito por minha mãe e meu pai, na ocasião do meu nascimento, minha mãe teve dificuldade para me dar à luz, então meu pai fez um voto para São Pedro que se nascesse homem era para chamar Pedro e minha mãe sem saber fez um voto para Santo Antônio que o bêbê se chamaria Antônio, daí quando nasci fizeram um acordo e fui chamado: Pedro Antônio.
  Sou o primogênito de 10 filhos, 5 homens e 5 mulheres: Maria (in memorian), Aparecida, Eu, Zélia, Braz, Lázaro, Bráulio, Eleusa, Ileide e João de Deus.  meu pai lavrador pobre, mas honesto, minha mãe do lar, fiel, incomparável, nos criaram no verdadeiro amor, embora com dificuldade, mas sempre tivemos alegria no lar.
  Amo muito todos os meus irmãos e se cito mais o Braz no livro, foi devido a nossa faixa etária, convivi mais com ele, pois os outros eram bem menores...

Braz e Eu

  Quando pequenos, antes de deitarmos meu pai fazia uma caçarola de polenta, e cada um de nós com uma colher faziam a festa, comíamos juntos, menos minha mãe que não gostava.
  Foi crescendo a família, e que prazer era o dia de domingo, quando nós íamos para Cumari, para a casa do Vôvô Lourenço e vovó Sudária (Dara). ali reunia a família na época chegávamos a 72 netos!
  Não tive o prazer de conhecer a vovó Elmira mãe da minha mãe, esposa do vôvô José Severino, pois ela faleceu após ter sido picada por uma cobra, deixando os filhos e filhas pequenas, para meu avô criar, mamãe já era casada, Ele os criou e casou a todos e viveu muitos anos, morando ora com um filho ora com outro... Muitas vezes ficou conosco, e era um prazer estar com ele, era pobre, mas amoroso, quando vinha da roça trazia para nós: guapeva, jambo, genipapo, marmelada do campo, entre outras frutas do campo e cerrado...
 Nós gostávamos quando ele nos carregava no seu pescoço, e na hora de comer (almoçar ou jantar) dizia:
__he he compadre Urias é hora de matar o bicho! – tomava uma xícara de pinga, e depois almoçava, mas nunca o vi tonto.


  Vôvô Lourenço era rico e bravo, às vezes não gostávamos muito dele, era sistemático e positivo, e gostava muito de bolos de fubá de doce fritos, e uma vez ele deu uma capanga de bolos para nós, Braz e eu, destruirmos o ninho de Bem-te-vi, que chocava no bacuri na porta do seu rancho na roça, dizia o vôvô que bem-te-vi era traiçoeiro que ele havia denunciado Nossa Senhora para o capeta que Jesus fora escondido dentro da casa do João de Barro.  Então João de barro saiu na porta da casa e dizia:
__ É mentira! É mentira!
E o bem - te-vi respondia:
__Bem te vi! Bem te vi!
Não sei quem contou essa estória para ele, sei que ele acreditava nisso, e nós também tanto que subimos no bacuri e quebramos os ovos do Bem-te-vi e ele ficou muito feliz. Vôvô era católico, os Agapito fizeram a igrejinha de São  Miguel e encomendaram um sino em São Paulo pelo correio e quando o sino chegou não tinham verba para pagar o sino, o sino estava na estação e ia voltar então vovô foi ali e pagou o sino que até hoje se encontra na matriz, ele dizia:
__ Fiz isso porque São Miguel não ia ficar satisfeito, xeu (seu) fulano...
  Vovô Lourenço tocava lavoura no tempo da chuva e na seca ele carreava com seu carro de boi de Uberaba a Goiás Velho, junto com outros carreiros, às vezes faziam duas viagens por seca... Levava toucinho salgado, arroz, polvilho, açúcar, rapadura, farinha... E vendia tudo. De lá pra cá voltava trazendo querosene, sal... Com esse negócio ele começou a ajuntar dinheiro e adquirir bens, comprando as terras dos seus irmãos que ou voltaram para Minas ou se mudaram para mais adiante e de outras pessoas, e ele chegou a emprestar dinheiro até para o Sr. Trajano um dos fazendeiros mais abastados da região.
   A casa do vôvô Lourenço era uma festa constante, tantos filhos, netos e amigos, andarilhos... Todos eram bem-vindos! Vanceslau, Manoel Cascudo, Nelsino, Nelson barbudo, Alfredo Paula, Vicente Paula, Calistinho, Zé Vieira, Palmero, Zé Romana, Antônio Romana, Mota, Pedro Valério... todos eram amigos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Memórias do Filho do Rei"


Apresentação
   Um sábio chinês desconhecido disse um dia: “Para ser um Homem completo basta plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.” Considero meu pai um Homem Completo tanto na vida carnal, quanto na vida espiritual.  Na vida carnal ele plantou e colheu de inúmeras frutíferas por onde passou, na vida espiritual semeou a palavra de Deus com tudo o que Deus lhe deu, quantas vezes “fez do limão uma limonada,” muitas sementes germinaram, cresceram e deram fruto no tempo certo.
   Na vida carnal ele teve dois filhos: Haroldo (in memorian) e Silsa Berias e criou duas netas: Hadassa e Hannah, na vida espiritual não é possível contar quantos filhos que ele teve e criou, educou e ensinou a sã doutrina...  Na vida carnal escreveu contos, poesias inspirado por Deus compôs 308 hinos, dos mais variados ritmos e temas... Mas na vida espiritual escreveu uma história que jamais será apagada, ao contrário ficará sendo conhecida por gerações de adoradores, ávidos por servirem a Deus em Espírito e em Verdade.
  Este livro é parte da vida carnal e espiritual do meu pai e sinceramente a vida e obra desse servo de Deus dispensa maiores apresentações...  A família, os amigos, os irmãos têm muito mais para contar do que ele no alto de seus 72 anos, seu exemplo e testemunho de vida falam mais do que as palavras.
  Meu pai é um ser humano normal como eu e como você, um homem simples que sente as mesmas dores, comete erros e passa pelas mesmas dificuldades de outras pessoas, mas a cada dia luta para ser santo, para se purificar sempre mais, para servir a Deus.
  Desejo que este livro traga bençãos e unção para a sua vida, como trouxe para a minha, como a visão que o profeta Ezequiel teve de um vale de ossos secos: “Eis que farei entrar o Espírito em vós, e vivereis... e sabereis que EU sou o Senhor” (Ezequiel 37:6), que possa tirar a muitos do vale, da depressão, da angústia e do pecado.  E como o profeta Eliseu que ressuscitou um cadáver apenas por tocar nos seus ossos secos (2 Reis 13:21 ), que o Espírito Santo através deste livro continue a abençoar vidas por gerações mesmo quando meu pai já não estiver mais entre nós, e Jesus já tê-lo chamado há muito para si, continuaremos lendo suas palavras, ouvindo sua voz, vendo sua imagem, ensinando a Palavra de Deus, e continuará vivendo através de nós.
  “Não temas, crê somente...” (Lucas 8:50) Eu creio Senhor! esse livro e este blog farão a diferença na sua vida e na vida de muitos!
Silsa Berias da Silva