Páginas

Mostrando postagens com marcador Capítulo 8. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Capítulo 8. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Capítulo 8

A formação
  Tive o privilégio de trabalhar e aprender muito com uma equipe de missionários e pastores abençoados e muito bem preparados, eles contribuíram grandemente para o sucesso do meu pastorado, me apoiaram, me incentivaram.  São eles: Elonzo Haroldo Bradfield, Jack Pope (Supervisor Geral das Igrejas de Deus no Brasil), Billy Elwood Watson, Philip Shearer, Alexandre Portugal, Manoel Epaminondas Senhorinho o castelhano, e um novo Americano alto, alegre demais por nome de Bryan Hersey, Aristoclides Santana, José Gonçalves, Luis Rodrigues do Prado entre outros...

A esquerda o  missionário Jack Pop e a direita o missionário Philip Shearer e família

Da direita para esquerda missionários: Haroldo  Bradfield, Jack Pop e Philip  Shearer

  Fiz o Curso para Pastor, fui consagrado a Ministro Exortador, tinha então seis meses de fé, logo depois, virei missionário, depois recebi a consagração de Ministro com licença e tudo e depois recebi das mãos do Supervisor Jack Pope a credencial de Pastor vinda dos Estados Unidos, como Pastor Ordenado.
 Só no mês de fevereiro de 1968, Deus salvou 668 almas, curou ali em Belo Horizonte, uma senhora já de idade avançada, paralítica, já há algum tempo padecia na cama.  O missionário Haroldo orou e ela se levantou, e subiu conosco o Morro dos Urubus, onde ajudou-nos a armar a tenda e durante a aquela campanha, não se distanciou de nós.


A pregação da noite na Favela dos Urubus foi a passagem bíblica acima

  Sabem irmãos, Deus fez muita coisa através de nós, eu, andando pela fé, comia e vestia o que ganhava dos irmãos, o Missionário Aroldo com um pequeno salário que mal dava para o combustível e pouca comida, andávamos numa rural velha com pneus cheios de monchões, muitas vezes fomos apreendidos pela polícia, devido a irregularidades do nosso veículo, o missionário ficava nervoso e nessas horas não falava sequer uma palavra de português, e eu homem simples do interior tinha que explicar a situação para os policiais, mas sempre entendiam a nossa missão e nos liberavam, muitas vezes ficamos na estrada, mas sempre alegres e o missionário dizia sempre:
__Pedro, somos mais que vencedores!


Cristianópolis (Go) - Nossa Rural abençoada!
Minha primeira Pregação


  Na primeira etapa do trabalho, tivemos que voltar a Goiânia, estava em Osasco, São Paulo, e chegou uma carta, uma circular, enviada pelo Supervisor das Igrejas de Deus, para virmos a Convenção.  Os irmãos estavam ansiosos para ver e ouvir o missionário Haroldo.
   Chegando a Goiânia, na igreja do Pastor Pedro Alagoano, no terceiro dia de Convenção das Igrejas de Deus no Brasil (1969) de manhã, chegou um senhor de boa aparência e começou a discutir com os obreiros, fermentando.  Então chamaram o missionário Haroldo.  Ele veio, e disse ao senhor:
__ Você está cheio de diabo, Deus me mostrou chifres na sua cabeça – disse mais - Sai dele demônio!
  O homem saiu correndo e não apareceu mais.
  O dia do Evangelista era no domingo, e todos os irmãos queriam assistir o culto na praça.  Fizeram então um grande palanque para o missionário transmitir o recado de Deus.
  Mas no sábado de manhã, o missionário Haroldo me chamou e disse:
__ Temos que orar, vou falar com o pastor para nos arrumar o porão da igreja, ali vamos nos consagrar, sabe Pedro, os irmãos estão me idolatrando e Deus não gosta disso, por isso quem vai pregar é você, meu filho.
  Tremi nas bases, pois durante o tempo em que eu estava com ele ainda não havia pregado, cantava, trabalhava com as crianças, mas pregar ainda não. Eu ainda era uma criança a respeito das coisas espirituais, estava engatinhando, ensaiando os primeiros passos...
 __ Não pegue café para nós! – foi a ordem que ele me deu – Vamos orar.
  Oramos.  No almoço disse:
 __ No vamos comer nada! No janta também passamos a noite em oração.
  E assim foi, continuamos orando.
  No domingo de manhã disse ele:
__ Só vamos tomar café depois do culto da praça.
__ Sim Senhor – respondi.
 As 08:00 h da manhã fomos para a Praça, quanta gente já nos esperavam, alguns vindos de longe, logo o missionário começou o culto.  O fogo caía na hora da pregação ele disse:
__ Para maior surpresa dos irmãos, o irmão Haroldo não vai pregar hoje, mas quem prega é Pedro.
  Estávamos os dois em cima de um palanque feito de bambu riscado, abri minha Bíblia em São Mateus 11: 25 a 30. 

 "Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.
Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.
Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve."

  E Deus fez um grande rebuliço, dezoito almas foram salvas naquele dia, as únicas da Convenção.  Os pastores disseram que quando eu falava saia uma bola de fogo da minha boca, batia no povo, explodia e depois voltava e entrava na minha boca outra vez.
  Terminado o culto os pastores me levaram nos braços, nos ombros, carregando de tanta felicidade e unção, e nos levaram de volta a igreja. Para honra e glória do Senhor Jesus.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Capítulo 7

 
E a semente germina...
Missionário Haroldo Bradfield
  Deus tem seus planos marcados, no dia 10 de outubro de 1967, o missionário americano Elonzo Harold Bradfield, estava em Anápolis Goiás com a família, vindo recentemente dos Estados Unidos da América, quando ouviu Deus lhe falar:
__ Hoje eu tenho uma obra para você fazer por mim...
 Ele tomou o avião e foi para Uberaba em Minas Gerais, e disse Deus a ele:
__ Não é aqui não!
  Ele tomou o ônibus e foi para Araguari (Minas Gerais), chegando ali começou a andar em volta da rodoviária e Deus falou novamente com ele:
__ Haroldo, você agora vai para Cumari, lá eu tenho uma obra a ser realizada.
__ Mas é hoje? Perguntou ele – tudo bem, sim Senhor.
  Um homem que atravessava a praça ouvindo Haroldo falar num português americanizado, não entendeu.
Haroldo disse: __ Oi, Oi.
O homem parou e Haroldo disse:
__ Você conhece Cumari?
Ele disse: __ sim, por quê?
__ Porque hoje eu tenho que realizar uma obra ali – disse Haroldo.
__ E qual é a obra? Perguntou o homem.
__ Eu sou missionário da Igreja do Calvário Pentecostal nos Estados Unidos e estou emprestado a Igreja de Deus no Brasil e tenho que realizar uma obra hoje!
  E o homem que o ouvia disse: __ Eu sou o Pastor Sebastião Botelho da Igreja de Deus nesta cidade, vem comigo até a minha casa, tomar um banho, jantar e te levo de rural para Cumari.
  Haroldo disse que sim.
  Você pode pensar que coincidência! Mas não que providência! Haroldo agora sabendo de tudo e eu não sabendo de nada... Ambos na mesma cidade, no mesmo lugar, mas ainda não era o tempo de Deus!
   Peguei o ônibus 15:30h e voltei para Cumari, para minha casa, e Haroldo foi com o pastor e outros também logo vieram para Cumari.
  Na rural tinha um alto falante e fizeram então um convite nas ruas da cidade de Cumari para todos comparecerem no culto à noite.
  Chegando a casa minha mãe perguntou: __ E aí Pedro o que o médico falou?
__ Ele disse que estou bom, até comprei uma Bíblia para trabalhar com os meus jovens... Disse eu
Ela sorriu e eu entrei.
 No quarto abri a Bíblia sem saber o que era, abri em Deuteronômio 18: 9 a 14 e li, aquela mensagem falou comigo, fui até a cozinha e falei com minha mãe: ___ Mãe agora eu vou ser é bíblico porque segundo a Bíblia eu estou fazendo tudo errado!
  Voltei para o meu quarto e com sede abri de novo a Bíblia: Isaías 44:9 a 16...   Li...  Fechei a Bíblia e fui falar com minha mãe novamente: __ Não vou mais ser espírita, nem volto a ser católico, ta tudo errado! Vou ser é bíblico mesmo!
   Ela disse: __Ah Pedro, você já está é ficando doido mesmo!
  Deixei a Bíblia em cima da cama e fui tomar um banho, quando sai do banheiro ouvi uma música diferente e perguntei minha mãe que música era aquela, então ela me disse: __ É um missionário crente que está aí na Orsila ( Pastora da Igreja de Deus de Cumari) .
Eu disse: __Hoje eu vou ser crente.
  Ela disse: __Vai!

  Jantei depressa, e como estava no inverno, peguei meu guarda-chuva e fui pela rua.  Em frente ao Bar do João do Deca havia um grupo pequeno de pessoas cantando e falando, chovia, eu cheguei e entrei no meio deles, já conhecia o irmão João Nunes de Oliveira e tampei-o com o meu guarda-chuva.  Não sei dizer nada do que falarão ali, foi nos feito o convite para ir à igreja já perto e fomos: Eu Pedro Antônio Lourenço da Silva, o sócio, e a turma: Joaquim Cuiabano Sobrinho, Amauri Lourenço, e outros, éramos seis dos quinze.
  Entramos na igreja, e nos assentamos, eles cantarão, falarão e demorou tanto que alguns saíram e foram embora, mas nós ficamos. 
Daí veio o Apelo, após a mensagem que também não me lembro de nada.  No apelo diziam: __ Aceita a Jesus como seu Salvador, ele vai te ajudar...
  O Pastor Sebastião Botelho pediu então para a igreja cantar o Hino nº. 135 da Harpa Cristã: “O Nome Precioso”, e algo mexeu conosco.
  Até hoje me lembro dos lábios ungidos do Pastor Sebastião Botelho encurvar cantando... Que beleza de hino...como foi bonito...
  Todos os meus colegas aceitarão Jesus, menos eu.  Não é porque eu não queria, é porque eu fiquei como morto. O Pastor dizia: __ aceita a Jesus!  E eu calado, quieto!
   Enquanto o Pastor Botelho orava pelos meus colegas que haviam aceitado a Jesus, Deus revelou para o missionário Haroldo que a pessoa que precisava ser salvo naquela noite estava ali, mas não era nenhuma daquelas pessoas.
   Então o missionário começou a falar em português com grande dificuldade: __ Vem, vem, você vem e hoje Jesus te chama, vem, vem...
   Eu fui me irritando com aquilo e falei: ___ Parece que você esta falando é comigo, mas eu não tenho força de levantar a mão, estou como morto!
  Mas naquela hora Deus me pôs em pé, com os braços levantados, e o missionário disse: __ É você mesmo, pode abaixar as mãos.
__ Mas agora não abaixa! - disse eu
__ Então vem assim mesmo! Disse o missionário.
  E eu fui. A uns três metros, ele disse: __ Basta! - e fez uma oração.
  Só vi os seus lábios mexerem, as minhas mãos desceram e eu fiquei liberto na hora e nunca mais desmaiei a partir daquele momento.
  Chegando a casa de meu pai e minha mãe, estavam na porta me esperando, e disseram: __ Pedro você demorou tanto, eu já estava incomodado! O que é que foi?
__ Ah mãe, eu estava na igreja dos crentes, e agora eu sou um crente também.
__ Cruz credo! - disse ela – lá em Minas tinha o Zé Vicente que tinha umas moças bonitas, que eram crentes e o povo dizia que essa religião era do capeta, você vai deixar disso por amor do leite que você mamou neste peito...
__ Mãe eu não vou ser só crente não, eu vou ser é pastor também! – disse eu
  Ela chorou.

Capítulo 6


Uma semente foi plantada
Irmão José Justino, o homem  que me falou de Jesus

   Naquela mesma semana andando ali em Cumari, minha cidade natal resolvi a ir à Sapataria do meu amigo de infância José Justino de Almeida.  Chegando ali ele me perguntou:
 __ E aí como é que você está Pedão?
__Ah Zé eu estou desenganado, agora eu vou morrer - e contei a ele tudo o que o médico havia me dito.
Acrescentei ainda: __ Agora eu vou me matar ou vou matar um para eu ficar famoso.
  Ele disse: __ O que? Deixa de ser besta Pedro, você não vai morrer nada e nem vai matar ninguém...
  Respondi: __ Zé eu já passei por tudo, até virei Espírita, e não achei solução, como você sabe quanto tempo já passou, quase quatro anos e continuo doente e agora o que é que eu vou fazer?
  Ele me disse: __ Tem um que te cura.
Perguntei: __ Quem é ele?
  Ele disse: __Eu não vou dizer, porque muitos criticam.
  Eu disse: __ Pode falar se eu não gostar vou ficar calado...
  Então ele disse: __Se você aceitar Jesus Cristo, ele te cura, e não só isso, ele te liberta, salva, ele pode fazer para você o que você precisa!
  No momento suas palavras não surtiram efeito algum, eu pensei: __Que bobagem, eu já tenho Jesus na vida que é isso de aceitar Jesus como meu Salvador...    
  Mas um dia, vindo do sítio do meu pai trazendo banana mateã (maçã) para o João de Deus meu irmão (mais novo), caí ali no atalho, e fiquei a tarde toda desacordado, quando melhorei, lembrei-me do José Justino e do Jesus que ele falou, as bananas pretas, e eu todo sapecado pelo calor do sol, decidi fazer algo.  Desci pelo capim no campo, atravessei a cerca de arame e desci dentro de uma gruta.   Lá eu ajoelhei em cima de uma pedra e coloquei meus braços sobre uma raiz e falei com o Deus dos crentes:
__ Oh Deus dos crentes, Deus que o Zé Justino me falou, que seu filho cura, e se seu filho cura mesmo, então me cura, e eu vou te servir, sem medir sacrifício.
  Levantei e fui embora.

  O irmão José Justino continua firme com o Senhor até hoje,  na época que ele pregou para mim era solteiro mas logo depois se casou na Igreja de Deus de Cumari Goiás com a irmã Selma, sendo o primeiro casamento realizado ali naquela igreja.



1º casamento da Igreja de Deus no Brasil em Cumari GO – Irmão José Justino de Almeida e irmã Selma



Irmão José Justino e sua família abençoada

  Depois de alguns anos mudaram-se para Catalão onde residem com seus quatro filhos abençoados: esposas de pastores e levitas ungidos do Senhor.


Irmão José Justino e sua esposa irmã Selma hoje


A Profecia
  Nessa mesma época havia um Senhor chamado Pedro Antão, que ia de trem de Goiandira para Cumari para levar ceia para Dona Leopoldina e suas filhas, sempre ele descia do trem de passageiro carregando uma malinha pequena.  Eu criticando o crente gritando:
__ Oh velho grande, de mala pequena...
  Sempre que ele ia eu o atormentava.  Então um dia ele parou olhou para mim e disse:
__ Um dia você também vai ser um velho grande de mala pequena...
  Depois de algum tempo me converti e fomos a Catalão, Aroldo e eu justamente na casa do velho Pedro Antão, tão logo entrei na casa ele me disse:
__ Eu não te falei que você ia ser um velho grande de mala pequena...
  Haroldo nada entendeu nada então contamos a história e Haroldo mandou que eu pedisse perdão a ele, o que obedeci prontamente... E hoje sou exatamente o que ele falou:
__Um velho grande, com mala pequena...


profecia cumprida! kkkkk








Olha só o talento de um dos filhos do irmão José Justino:
 

Capítulo 5


 O pesadelo
  Foi numa festa de Santa Cruz que eu senti algo estranho, tinha ido com o Sr. Bertoldo e seus filhos e filhas, ao meio dia soltavam foguetes depois da reza e todos iam almoçar, e como tinha muita gente estranha eu fiquei quieto não fui sentar-me a mesa, mas contaram para o Sr. Zeca Justino que eu estava com vergonha e ele veio e me levou para servir a comida, depois que me servi voltei a me encostar na cerca do curral onde estava antes.  Era uma cerca feita de lascas de aroeira. Mal me encostei na cerca senti um murro nas costas, foi tão forte que o meu prato voou longe jogando toda comida fora...  Fiquei assustado nem eu nem ninguém vimos nada! Eles disseram que lá era assim mesmo e mandaram que eu pusesse outra comida. Isso foi só o início do meu pesadelo...

Igreja de Santa Cruz (Capoeirão)

  No dia 13 de Janeiro de 1963, foi o dia mais horrível da minha vida.  Fui levar o meu sobrinho Nivaldo (filho da minha irmã mais velha Maria) para ver sua avó na Fazenda Lagoinha.  Na volta, passamos na casa do Messias (meu primo) chegando ali senti o mal da morte, desmaiei na porteira do curral, caí por terra e fiquei fora de mim por três horas mais ou menos.  Quando dei por mim, estava deitado no colo da Izelina esposa do meu primo. O Nivaldo e o João de Deus chorando.  Que tristeza para mim... Todas as pessoas da vizinhança preocupados... mas fomos embora...
  A partir daquele dia acabou minha alegria, sempre eu desmaiava.  Os médicos diagnosticaram: Epilepsia. Passei a tomar remédios controlados: Gardenal, Comital e tantos outros... Fiquei doente por cinco longos anos, no fundo do poço, numa amargura sem fim... Fiquei revoltado e cheguei por duas vezes a tentar o suicídio.
  Um dia fui para um lugar deserto chamado Poção e lá amarrei minha espingarda fazendo pontaria onde eu ia ficar, cortei um cipó e amarrei no gatilho para me detonar.  Na hora de morrer, tirei minhas botinas e resolvi rezar primeiro, fiz a oração do Pai Nosso e ouvi uma voz que me disse assim:
__ Não faça isso, você já perdeu tudo que tinha e agora vai perder também a sua alma.
  Desarmei a espingarda, dando o tiro para cima, calcei as botinas e fui embora triste, completamente triste.
  Sempre desmaiando perdi o prumo, fiquei sem destino, e passei a beber bebidas alcoólicas.
  Numa outra vez, pensei em pular na frente da locomotiva 444, mas na hora, ouvi novamente a voz dizendo: __ Pedro não faça isso, isto é pecado! E então desisti.
  E tomei uma decisão, falei para o Amauri (Tota meu primo, filho da tia Zulmira): __ Agora eu vou matar um, para eu ficar famoso.
Ele disse: __ Que isso Pedro, nossa família nunca fez tal coisa!
  O tempo foi passando, eu tinha dinheiro, tinha gado, tinha meus seis bois curraleiros pretos mascarados, mas tudo isso eu perdi.  Comecei a andar com maus elementos.
  Quando vieram de Minas a família do Neguinho Florindo eu me aliei a eles e formamos o bando dos quinze, e eu era o líder, eles me chamavam de Sócio.  Fizemos muitas proezas, até que o Ninos me disse:__ Vamos parar com isso.
  Agora, eu além de doente, já viciado na bebida, disposto a tudo com meus companheiros, não trabalhava mais, desde o dia 13 de janeiro de 1963 a 10 de outubro de 1967, descabriado, triste, perdido, mergulhado na amargura, andei muito procurando solução.
 De Curador em Curador, médico em médico, e nada de cura.  Até que um dia, em Araguari, Minas Gerais, No Hospital Santo Antônio, ouvi da boca do Dr. Belizário:
__ Pedro, não adianta mais, você não pode mais andar sozinho, vai morrer em casa, seus pulmões estão furados com tanto álcool, seu coração está tão fraco, como o motor de um jipe puxando uma carreta.   Eu fui embora.


O ladrão de lenha
  Depois que passei a sofre de epilepsia, eu não podia mais trabalhar, pois ficava desacordado por horas onde quer que eu estivesse...  Então resolvi comprar uma carroça para vender lenha junto com o meu pai, fizemos um deposito na beira do quintal, e logo começou a sumir lenha...  Resolvi descobrir que é que estava roubando nossa e acabar com tal ação.  Á noite finquei uma vara ao lado do monte de lenha e estendi um cordão de algodão, de forma que para pegar a lenha tinha que esbarrar no cordão. Pus um tiro mão travessa na espingarda a amarrei no pede manga com a boca para cima e passei o cordão no gatilho.  Quando foi lá pelas cinco horas da manhã veio o Hugo o meirinho da polícia (levava intimações) tirar leite na charqueada.  Ouvi o barulho de sua bota de borracha, e logo ouvi o tiro, ele havia ido pegar lenha como de costume para levar para uma senhora que ele gostava, e o tiro o fez se assustar e correr e eu corri para fora de casa para ver quem era.  E vinha voltando da Anhanguera a pé os senhores Geraldo Lizarda e Valdeberto Alves, que rapidamente disseram:
__ Oh, quem estava roubando lenha não é nós não é o Hugo!
  Nunca mais sumiu lenha da pia!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capítulo 4


Minha religiosidade
   Até ficar moço, fui Católico.   Fui Congregado Mariano, saudava com a saudação:
 __ Salve Maria!
  Depois fui Irmão Santíssimo e saudava:
 __ Salve Jesus!
  Mais tarde entrei na Congada com linhas cruzadas, e a nossa saudação era:
__ Saravá!
 Participei com o Sr. João Patrol de despachos em encruzilhadas, mas Deus não estava lá e a cura também não.
  Os padres Capuchinhos, Missão Nossa Senhora de Fátima queria me levar para Roma, mas minha mãe me fez desistir.
  Como é bom ser jovem, adquiri muitos amigos, às vezes bons, as vezes ruins...  Até hoje eu tenho um nome ruim devido o meu passado, mas Graças a Deus que eu não fiz mal a ninguém, nunca derramei sangue, nem estraguei famílias, mas andei com maus elementos que deixou em mim, esta nódea de mal: agressor, Pedro Cachaceiro, Pedro Garrucha, capitão de congo, Pedro viola etc...
  O indesejável Pedro do Urias deu muitos tiros, fez muito barulho, acabei com pagode na bala nos Tamarindos, mas mesmo assim o povo gostava de mim.  Mesmo sem juízo, cresci entre pessoas honestas e consegui superar as infâmias.
  Nunca pensei ser hoje o que sou passei por tanta coisa, mas Deus cuidou de mim.
  Eu, Pedro Antônio Lourenço da Silva, não tenho queixa em delegacia, nunca fui processado por nada, nunca fui testemunha de coisa alguma, sou um velho pacato, feliz com tudo o que Deus me fez.

Capítulo 3


Início Musical
  Estava com mais ou menos quinze anos quando tio Zeca Sidinês comprou uma vitrola com discos de 48 rotação e todas as tardes, íamos para a casa dele ouvir música.  Enquanto ele punha o disco e dava corda na vitrola tia Livertina amolava a agulha numa pedra de afiar faca. 

vitrola


  Assim Braz e eu aprendemos a cantar as primeiras músicas.  A primeira foi: “Tapera na beira da estrada” com Tonico e Tinoco.   Mas Braz adoeceu e teve que ser levado para a Araguari para operar a garganta e ficou sem poder falar ou engolir por um tempo.
  Papai então comprou para ele um cavaquinho de oito cordas, e ele muito se alegrou, mas ninguém sabia afinar ou ensinar a tocar o tal cavaquinho.
   Então apareceu o Sr. Herculano e nos ensinou algumas posições. Troquei uma espingarda com meu primo Jaime em troca de um violão de tarrachas  Mas o dia em que eu levei a espingarda, ele engoliu a lobeira!


lobeira ou fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum)
 
  Mas o Joel do Sr. José pequeno tinha um violão de craveia de madeira, e eu catirei com ele, dei umas coisas em troca do violão.
  E começamos então a formar uma dupla, sem saber começamos a dedilhar, minha mãe nos dizia:
 ___Isso que vocês estão tocando é samba, é “meu limão, meu limoeiro”...
   Tínhamos na nossa família o tio José Emídio que tocava acordeom e também o Iba tinha uma pé-de-bode, mas que som bonito.  Meu pai fez uma festa no sítio voto para o Divino Pai Eterno que durou dez dias no último dia após a novena o Tio Zé Emidio trouxe a sanfona, mas meu pai não deixou tocar disse:
__Pode comer, pode beber, mas pagode, não, não quero saber de rela-rela...
   Minha mãe ficou contrariada...
   Tinha ali em Cumari um Senhor que se chamava Justiniano que trabalhava com lata e tinha um filho por nome de Argemiro, e havia dado uns passeios no México quando solteiro, depois de muitos anos apareceram dois filhos deixados no México que tocavam e cantavam muito bem, fizemos amizade e eles nos ensinaram um pouco mais, e Braz e Eu formamos a dupla: Louro e Lourenço.  Das 17 duplas que havia em Cumari tirávamos em primeiro lugar cantando musicas de: Torres e Florenço, Zé fortuna e Pitangueira, Tonico e Tinoco, Cantávamos: Moreninha linda, Curitibana, Abre a porta, Tristeza do Jeca, Chico Mineiro e outras...    Chegamos a escrever algumas músicas e cantar, mas queríamos saber mais...
  Tinha ali uma tapera assombrada do Sr. João Laura que teve que mudar devido as coisas sobrenaturais que aconteciam ali, e Braz e eu íamos a noite, entrávamos no porão e dizia:
__ Vem Capeta do João Laura ensinar nós tocar violão nós te dá a nossa alma...
  Morcego era praga, no escuro, mal víamos um ao outro, mas nada nos aconteceu, nada víamos, ou ouvíamos, e todos que lá chegavam, apanhavam ou viam alguma coisa... Logo depois o Dr. Artur médico da cidade montou no seu motor e foi lá para ver se realmente acontecia alguma coisa, pois ele não acreditava em casa mal assombrada.  Chegando ali ele foi recebido a Jenipapadas, jogaram jenipapo verdes nele e ele não via ninguém, voltou para Cumari todo roxo com o chapéu virado do lado do avesso na cabeça ele não viu quando o chapéu virou do avesso...

Genipapo (genipa americana)


  Mas conosco nada aconteceu pois Deus já havia nos escolhido e nos protegia...
    O Divo Ivo filho do Sr. Bertoldo e Dona Itelvina, sempre foi um grande amigo da família ele também comprou um violão e nós aprendíamos juntos, quando ele tocava:
___Tum dum dum...  – Olhava para sua irmã e dizia:
__Baba não Fatia...
  E até hoje quando alguém faz alguma coisa diferente ou bonita dizemos:
__ Baba não, Fatia...
  Chegou então a Cumari um senhor tintureiro: Vicentão que tocava muitos instrumentos: violão, viola, cavaquinho, banjo... E meu pai então o pagou para nos ensinar...
 Mandamos fazer dois ternos de casimira aurora, azul marinho e passamos a cantar em festas, casas de pagode...  Juntos com o sanfoneiro Geraldo Cor-de-Rosa...
  Mas eu fiquei doente, epiléptico, e o Braz passou a cantar com o Belchior, mas logo depois se casou com a irmã Zita.  Acabando assim a dupla mundana: Louro (Eu) e Lourenço (Braz).


 Antiga dupla: Louro e Lourenço, hoje Pastor Braz e Pastor Pedro Lourenço, hoje só cantamos pra Jesus e estamos os dois louros.



  Também toquei muito com o Sr. Tobias Evangelista o “Rei do Acordeom”, com Tatano Papine (acordeom), Jarbas Sebba (bateria) e eu no violão em muitas festas da Paróquia na época do Padre Gregoriano Santos Filho, ele gostava da música: “Montado a cavalo cortando o estradão assim era a vida que leva o peão...”
  O Senhor Messias Veríssimo (o Missião - nariz – de - bezerro) esteve em São Paulo fazendo aulas de dança e quando voltou me ensinou a dançar: bolero, tango, mambo... E aí virei pé-de-valsa...

Fazendo Artes depois de rapaz

  Quanto mais eu crescia, mais dava trabalho para meus pais, mais artes eu aprontava, e quando chegou de Minas a família do Sr. Neguinho Florindo eu me aliei a eles e tornei-me o chefe de um bando de quinze, meu nome então mudou de Pedro para Sócio, olha só que aprontávamos:
As formigas
   Um dia fomos num aniversário na Cerâmica na casa do Sr. Sebastião Curubino, o Zé do tio Virgílio e eu, mas achamos o pagode muito fraco e resolvemos acabar com ele... Eu sabia que debaixo do toco para entrar na sala tinha um formigueiro de formiga lava-pés... Então convidei o Zé para me ajudar a aluir o tronco e assim fizemos... As formigas não pediram licença tomaram conta da sala... Só se via as moças e mulheres correrem para o quarto... O pagode acabou em coça-coça (às vezes também acabávamos com os bailes jogando no chão pó-de-mico – pó feito da casca do pequizeiro).
 

formiga lava-pé
 
  Mas ainda não estávamos satisfeitos. Eu e Zé saímos na frente para fazer outra arte, no Córrego do Sr. José Agapito a enchente levou a ponte e colocaram uma pinguela.
  Para irem embora, todos tinham que passar pela pinguela... Com um pedaço de madeira arrastamos a pinguela e deixamos só a pontinha no barranco e amoitamos no capim colonião para ver o que acontecia...  Eram uns quatro metros de altura, o povo veio e foi passar o Sr. Geraldo Cor-de-rosa com o acordeom nas costas ia à frente seguido pelo Sr.Geraldo Lizarda, o Sr. Tamirim com os violões e mais um punhado de gente... Tão logo começaram a atravessar a pinguela caiu com todo mundo, saíram xingando de dentro do córrego, todos se molharam e Geraldo Cor-de-rosa logo disse:
__ Isso não passa de ser o Pedro do Urias, aquele miserável...
   Nós apenas ríamos escondido.

Pinguela



O burro do Cigano
  Tinha um cigano em Cumari muito amigo do tio Delfino, o Sr. Benedito, um dia ele foi passear na Matinha onde morava o meu tio onde nós plantávamos roça, e deixou o burro amarrado no curral dentro do barracão, e nós estávamos apanhando laranjas: Eu, Braz e o Vardim.
 E eu tive uma idéia e disse:
__ Vamos fazer uma arte?
 __ vamos – responderam de pronto – o que?
__ Vamos amarrar o burro do Benedito na cerca do curral.
  Toparam.  Pegamos o laço do vôvô Lourenço, emparelhamos o burro na cerca de tábua e arroxamos o bicho, até que ele ficasse de pés no ar, pendurado e depois demos o fora.
 O Sr. Benedito tomou café e quando resolveu ir embora foi pegar o burro no curral, o burro estava gemendo... Ele disse:
__ O que é isso? Meu burro está quase morto de tão arroxado!
  Não tiveram como desatar o laço, pois havíamos feito xixi no nó e o nó não soltou e tiveram que cortar o laço do vôvô e tio Delfino ficou furioso.


burro ou jegue