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sexta-feira, 29 de julho de 2011

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Pastora Orsila Machado Pires.
  Não poderia deixar de falar da minha Pastora Orsila Machado Pires, que com sabedoria e unção soube compreender-me e ensinar-me a dar os primeiros passos na minha vida de fé. 
  Quando criança conheci Dona Leopoldina (mãe da Pastora Orsila), na casa da vóvó velha (?), tinha os cabelos já branquinhos e longos, era boa e sofrida, sempre ia à casa de minha avó.  O tempo passou e ela ficou viúva sozinha cuidando de seus filhos e filhas na presença de Deus.  Mais tarde sua filha que viria ser a Pastora Orsila se casou, mas Deus chamou o seu esposo muito cedo, mas a pastora era uma guerreira e não se desanimou, como a sua mãe, cuidava dos seus filhos e filha com amor na presença de Deus.
  Ela sempre fazia culto na própria casa, naquela época o Ministério da Igreja de Deus no Brasil ainda estava se estruturando e haviam poucas igrejas construídas.  Eu, perdido pecador quando vinha do centro espírita passava perto de sua casa e chegava até a janela e fazia de conta que estava orando também, ela sempre me convidava para entrar e a estar com eles.
  Com o tempo ela comprou um barracão, reformou e montou a primeira Igreja de Deus no Brasil em Cumari Goiás, e foi ali que Deus me salvou.  Muitos diziam que eu era o preferido dela, ela gostava que eu tocasse para ela cantar e chegamos a cantar juntos alguns hinos, e quando eu não conseguia encontrar a voz certa ela dizia: __ OOOOOOOOO ta fora do tom!
mas não era preferência, como uma boa mãe que era, ela me adotou e zelou de mim porque eu realmente era o mais doente na alma.
  Logo após a Pastora Orsila abriu um trabalho em Nova Aurora e com sacrifício, com muita dificuldade íamos no caminhão do Chicão em caravanas.   Quantas festas, dramas, corais... quanto trabalhou essa serva de Deus desbravou o sertão de Goiás sem se preocupar com sua condição frágil de mulher. 
  Mas Deus a honrou, depois de alguns anos seu filho Paulo Augusto Pires foi eleito a prefeito e ela foi a primeira dama da cidade de Cumari, e jamais teve nem haverá uma primeira dama que discursasse tão bem e que ajudasse tantas pessoas, pois ela falava com unção.  Realizou muitos projetos com as legionárias: cobertores e no dia das mães doou a cada mãe das igrejas um par de sandálias inclusive a igreja que eu dirigia a Assembléia de Deus...  Jamais perdi o respeito e admiração pela minha pastora e quando estávamos angustiados por qualquer coisa íamos orar juntos, e buscar do Senhor resposta e alívio.  Foi assim até que o Senhor a levou, todas as vezes que eu ia a Cumari ver a minha mãe ia até a casa dela vê-la, mas quando fiquei sabendo do falecimento dela não tive forças para ir vê-la, queria guardar a imagem dela viva, forte e corajosa e foi essa imagem que ficou gravada em mim.
  Hoje nem se falam mais nos heróis da fé, muito menos em suas realizações, seus sofrimentos, hoje as igrejas são grandes e bonitas e as pessoas nem sabem quem pagou o preço, para que a igreja reunisse tantos salvos, não dá para contar quantas almas foram salvas através da minha pastora Orsila, muito menos quantas almas foram salvas através daqueles que ela ganhou para Jesus, quanta transformação, quantas curas, quanta libertação... Mas Deus é fiel e a recompensa vem de Deus e todo trabalho realizado por ela será recompensado.
  Para mim ela sempre foi e sempre será um exemplo a ser seguido, uma: Heroína da Fé.

Capítulo 7

 
E a semente germina...
Missionário Haroldo Bradfield
  Deus tem seus planos marcados, no dia 10 de outubro de 1967, o missionário americano Elonzo Harold Bradfield, estava em Anápolis Goiás com a família, vindo recentemente dos Estados Unidos da América, quando ouviu Deus lhe falar:
__ Hoje eu tenho uma obra para você fazer por mim...
 Ele tomou o avião e foi para Uberaba em Minas Gerais, e disse Deus a ele:
__ Não é aqui não!
  Ele tomou o ônibus e foi para Araguari (Minas Gerais), chegando ali começou a andar em volta da rodoviária e Deus falou novamente com ele:
__ Haroldo, você agora vai para Cumari, lá eu tenho uma obra a ser realizada.
__ Mas é hoje? Perguntou ele – tudo bem, sim Senhor.
  Um homem que atravessava a praça ouvindo Haroldo falar num português americanizado, não entendeu.
Haroldo disse: __ Oi, Oi.
O homem parou e Haroldo disse:
__ Você conhece Cumari?
Ele disse: __ sim, por quê?
__ Porque hoje eu tenho que realizar uma obra ali – disse Haroldo.
__ E qual é a obra? Perguntou o homem.
__ Eu sou missionário da Igreja do Calvário Pentecostal nos Estados Unidos e estou emprestado a Igreja de Deus no Brasil e tenho que realizar uma obra hoje!
  E o homem que o ouvia disse: __ Eu sou o Pastor Sebastião Botelho da Igreja de Deus nesta cidade, vem comigo até a minha casa, tomar um banho, jantar e te levo de rural para Cumari.
  Haroldo disse que sim.
  Você pode pensar que coincidência! Mas não que providência! Haroldo agora sabendo de tudo e eu não sabendo de nada... Ambos na mesma cidade, no mesmo lugar, mas ainda não era o tempo de Deus!
   Peguei o ônibus 15:30h e voltei para Cumari, para minha casa, e Haroldo foi com o pastor e outros também logo vieram para Cumari.
  Na rural tinha um alto falante e fizeram então um convite nas ruas da cidade de Cumari para todos comparecerem no culto à noite.
  Chegando a casa minha mãe perguntou: __ E aí Pedro o que o médico falou?
__ Ele disse que estou bom, até comprei uma Bíblia para trabalhar com os meus jovens... Disse eu
Ela sorriu e eu entrei.
 No quarto abri a Bíblia sem saber o que era, abri em Deuteronômio 18: 9 a 14 e li, aquela mensagem falou comigo, fui até a cozinha e falei com minha mãe: ___ Mãe agora eu vou ser é bíblico porque segundo a Bíblia eu estou fazendo tudo errado!
  Voltei para o meu quarto e com sede abri de novo a Bíblia: Isaías 44:9 a 16...   Li...  Fechei a Bíblia e fui falar com minha mãe novamente: __ Não vou mais ser espírita, nem volto a ser católico, ta tudo errado! Vou ser é bíblico mesmo!
   Ela disse: __Ah Pedro, você já está é ficando doido mesmo!
  Deixei a Bíblia em cima da cama e fui tomar um banho, quando sai do banheiro ouvi uma música diferente e perguntei minha mãe que música era aquela, então ela me disse: __ É um missionário crente que está aí na Orsila ( Pastora da Igreja de Deus de Cumari) .
Eu disse: __Hoje eu vou ser crente.
  Ela disse: __Vai!

  Jantei depressa, e como estava no inverno, peguei meu guarda-chuva e fui pela rua.  Em frente ao Bar do João do Deca havia um grupo pequeno de pessoas cantando e falando, chovia, eu cheguei e entrei no meio deles, já conhecia o irmão João Nunes de Oliveira e tampei-o com o meu guarda-chuva.  Não sei dizer nada do que falarão ali, foi nos feito o convite para ir à igreja já perto e fomos: Eu Pedro Antônio Lourenço da Silva, o sócio, e a turma: Joaquim Cuiabano Sobrinho, Amauri Lourenço, e outros, éramos seis dos quinze.
  Entramos na igreja, e nos assentamos, eles cantarão, falarão e demorou tanto que alguns saíram e foram embora, mas nós ficamos. 
Daí veio o Apelo, após a mensagem que também não me lembro de nada.  No apelo diziam: __ Aceita a Jesus como seu Salvador, ele vai te ajudar...
  O Pastor Sebastião Botelho pediu então para a igreja cantar o Hino nº. 135 da Harpa Cristã: “O Nome Precioso”, e algo mexeu conosco.
  Até hoje me lembro dos lábios ungidos do Pastor Sebastião Botelho encurvar cantando... Que beleza de hino...como foi bonito...
  Todos os meus colegas aceitarão Jesus, menos eu.  Não é porque eu não queria, é porque eu fiquei como morto. O Pastor dizia: __ aceita a Jesus!  E eu calado, quieto!
   Enquanto o Pastor Botelho orava pelos meus colegas que haviam aceitado a Jesus, Deus revelou para o missionário Haroldo que a pessoa que precisava ser salvo naquela noite estava ali, mas não era nenhuma daquelas pessoas.
   Então o missionário começou a falar em português com grande dificuldade: __ Vem, vem, você vem e hoje Jesus te chama, vem, vem...
   Eu fui me irritando com aquilo e falei: ___ Parece que você esta falando é comigo, mas eu não tenho força de levantar a mão, estou como morto!
  Mas naquela hora Deus me pôs em pé, com os braços levantados, e o missionário disse: __ É você mesmo, pode abaixar as mãos.
__ Mas agora não abaixa! - disse eu
__ Então vem assim mesmo! Disse o missionário.
  E eu fui. A uns três metros, ele disse: __ Basta! - e fez uma oração.
  Só vi os seus lábios mexerem, as minhas mãos desceram e eu fiquei liberto na hora e nunca mais desmaiei a partir daquele momento.
  Chegando a casa de meu pai e minha mãe, estavam na porta me esperando, e disseram: __ Pedro você demorou tanto, eu já estava incomodado! O que é que foi?
__ Ah mãe, eu estava na igreja dos crentes, e agora eu sou um crente também.
__ Cruz credo! - disse ela – lá em Minas tinha o Zé Vicente que tinha umas moças bonitas, que eram crentes e o povo dizia que essa religião era do capeta, você vai deixar disso por amor do leite que você mamou neste peito...
__ Mãe eu não vou ser só crente não, eu vou ser é pastor também! – disse eu
  Ela chorou.

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Idas e vindas
   Depois de algum tempo fui a Palmelo, estado de Goiás, no Centro Espírita para segundo eles desenvolver  as linhas cruzadas.  Fiquei ali por três meses, mas eu não sentia nada! Nunca fui incorporado, nunca vi nada... Eles diziam que eu tinha muita força e que eu tinha que desenvolver mediunidade, bem que tentei, mas nunca senti nem vi coisa alguma... Eles me trataram muito bem, foram caridosos, amorosos, esforçados, mas não puderam fazer nada por mim...    Voltei a Cumari e aí fui ajudar a Dona Faid, que era a médium mais conceituada da cidade. Ela dizia que eu era grande, que os meus passes quebravam as cadeias das trevas, mas eu mesmo, nunca recebia nada!
 Tomei uma decisão, voltei ao Catolicismo, procurei o padre Gregoriano Santos Filhos, confessei tudo para ele, e ele me disse: __Você Pedro, está com um pé no céu e outro  no inferno, vá rezar seis Pai Nosso e dezessete Ave Maria  e estará perdoado.
  Nem rezei nem tomei a Comunhão.  Então meu amigo Geraldo André disse para eu voltar para o Espiritismo.   Eu estava perto de ficar louco com tanta coisa e voltei pro centro e levei comigo meu irmão Braz e sua família, e meu amigo Vanderli Agapito.
  No Centro Espírita, o presidente me perguntou:
__ Você já conhece o regulamento?
__Sim – cheguei dizendo mentiras.
__ Hoje é dia de comunicação, e você vai fazer parte da corrente.
   Apagou a luz normal e acendeu uma colorida, escura (sou daltônico não entendo de cores), logo alguém começou a ter convulsões, outros gritavam, outros falavam e eu nada via ou ouvia ou sentia.
   O presidente então disse que eu era um médium muito forte e que eu devia desenvolver por isso passei cinco anos no Espiritismo, mas não recebi nada! Então novamente abandonei tudo e voltei a fazer proezas com a turma.
   Também fiz parte da Congada de Cumari na época que meu primo Jacinto Lourenço era general e cheguei a capitão de guia, tocava um cavaquinho de oito cordas e às vezes pegava a caixa para repicar o rojão.  Bebi marafa na cuia pequena e depois na maior, no caramujo de de sete pontas.
  O tempo passou e eu continuava naquela intenção maligna de matar alguém para ficar famoso.  Numa certa feita, tinha uma festa no Colégio, foram dez dias de festa, e eu dez dias na cachaça, que só terminou no domingo dia 09 de outubro.

E a jumenta fala...
  Segunda-feira fui para Araguari procurar o Dr Durval.  Ele me examinou e disse: __ Pedro eu não vou te receitar mais nada, você não pára de beber, pode ir embora.
  Eu respondi: __ Não doutor, agora eu vou parar mesmo.
  Ele receitou uns remédios, e eu nem aviei a receita, fui para a rodoviária.  Chegando ali, procurei um charreteiro e perguntei: __ Você sabe onde mora o Profirinho (Porfírio?)?
  Ele respondeu: __ O curador?
__ É – disse eu
__Sei - disse ele – mas eu sei de um ainda melhor que é um índio...
__Não quero, eu quero o Profirinho – disse eu.
  E lá fomos à sua charrete, tinha soltado a borracha de um de seus pneus e fomos mancando, mas chegamos. Ele perguntou se eu queria que ele me esperasse eu disse que não o paguei e ele foi embora.  Bati na porta, saiu um homem pequeno, de chapéu, e eu perguntei:
__ O Senhor é o Profirinho?
__ Sim, vamos entrar – disse ele – eu já sabia que você vinha aqui...
  Ele sabia mesmo, pois tem muita gente boba como eu para procurar essas coisas... Lá dentro tinha dois santuários, uma mesa com duas bacias de raízes moídas, pensei: Hoje eu acertei a mão, este era o curandeiro que eu precisava encontrar...
  __Precisa de alguma coisa? Perguntou ele.
__ Sim - disse eu
__ O que você precisa? –perguntou ele.
  Contei-lhe toda a minha vida, e ele com uma caneta, batia na sua testa.  Quando eu terminei, ele me disse:
__ Você bateu na porta certa! Você está vendo esses santuários? Estas raízes moídas... Meu filho isso não vale nada, é para mim um balcão de negócio.  Você precisa fé em Deus! e Santo Antônio, ninguém te cura ,só Deus é capaz de fazer o que você precisa, e você precisa é ter fé em Deus, Curandeiro não sabe é nada, vá embora e pede a Deus, ele pode te curar...
__ Mas o senhor não vai fazer nada por mim? Perguntei atônito.
__ Eu já te disse que eu não sei nada – disse ele - como posso fazer alguma coisa por você?
  Mas pegou um papel, pôs duas colheres de pó de raízes moídas e me deu dizendo: __ Põe isso no vinho de uva branca e toma, mas isso não vai resolver nada.
  Quando fui pagar ele disse:
 __ Não é nada.  Mas dei um troco para ele e voltei para a rodoviária.
  Chegando ali, vi duas moças fazendo a limpeza numa igreja, acho que era a Igreja Batista, cheguei ali e as cumprimentei e entrei na igreja, fiquei olhando tudo, elas perguntaram o que eu achava de tão importante, e eu respondi que era elas fazerem a limpeza, que elas estavam trabalhando para Deus e que era uma honra trabalhar para Ele.  Então elas me convidaram a voltar à noite na hora do culto e eu prometi que se ficasse iria. Voltei para a rodoviária e comprei a passagem, para Cumari por treze cruzeiros, e me sobrou dezessete no bolso, de toda a minha economia, só Deus sabe toda a tristeza que eu sentia naquele momento.
  Resolvi ir à loja Mil e Um para comprar uma Bíblia, porque eu via o Sr. João Malaquias ensinar pela Bíblia e eu como presidente dos jovens espíritas, achei que eu também precisava de uma Bíblia.  
   Na loja perguntei: __ Moça tem Bíblia?
  Ela respondeu: __ Tem apenas uma – e perguntou: __ Para que você quer uma Bíblia, você é tão jovem...      
  Respondi que eu fazia parte do Espiritismo e que necessitava de uma.  Então ela trouxe a Bíblia e a pôs no balcão, e eu a peguei e senti uma coisa maravilhosa naquele momento, perguntei o preço ela disse:
___ Dezessete e cinqüenta centavos.
  Mas eu só tinha dezessete! Pedi para deixar por dezessete e ela disse que não podia, então pedi para falar com o gerente.
  O gerente veio sorrindo e disse:
__ Cadê o moço da Bíblia?
__ Sou eu – respondi
Ele então perguntou por que eu queria que deixasse por dezessete e eu contei que tinha apenas isso, ele perguntou de onde eu era eu respondi que de Goiás e ele disse que o sogro dele tinha uma fazenda lá, perguntei quem era o sogro dele e ele disse: __ Seu Trajano Costa Mendes!
__ Então agora você vai fazer a Bíblia por dezessete porque eu planto lavoura para seu sogro!
  Assim tomei posse de uma grande Bíblia Católica.

Capítulo 6


Uma semente foi plantada
Irmão José Justino, o homem  que me falou de Jesus

   Naquela mesma semana andando ali em Cumari, minha cidade natal resolvi a ir à Sapataria do meu amigo de infância José Justino de Almeida.  Chegando ali ele me perguntou:
 __ E aí como é que você está Pedão?
__Ah Zé eu estou desenganado, agora eu vou morrer - e contei a ele tudo o que o médico havia me dito.
Acrescentei ainda: __ Agora eu vou me matar ou vou matar um para eu ficar famoso.
  Ele disse: __ O que? Deixa de ser besta Pedro, você não vai morrer nada e nem vai matar ninguém...
  Respondi: __ Zé eu já passei por tudo, até virei Espírita, e não achei solução, como você sabe quanto tempo já passou, quase quatro anos e continuo doente e agora o que é que eu vou fazer?
  Ele me disse: __ Tem um que te cura.
Perguntei: __ Quem é ele?
  Ele disse: __Eu não vou dizer, porque muitos criticam.
  Eu disse: __ Pode falar se eu não gostar vou ficar calado...
  Então ele disse: __Se você aceitar Jesus Cristo, ele te cura, e não só isso, ele te liberta, salva, ele pode fazer para você o que você precisa!
  No momento suas palavras não surtiram efeito algum, eu pensei: __Que bobagem, eu já tenho Jesus na vida que é isso de aceitar Jesus como meu Salvador...    
  Mas um dia, vindo do sítio do meu pai trazendo banana mateã (maçã) para o João de Deus meu irmão (mais novo), caí ali no atalho, e fiquei a tarde toda desacordado, quando melhorei, lembrei-me do José Justino e do Jesus que ele falou, as bananas pretas, e eu todo sapecado pelo calor do sol, decidi fazer algo.  Desci pelo capim no campo, atravessei a cerca de arame e desci dentro de uma gruta.   Lá eu ajoelhei em cima de uma pedra e coloquei meus braços sobre uma raiz e falei com o Deus dos crentes:
__ Oh Deus dos crentes, Deus que o Zé Justino me falou, que seu filho cura, e se seu filho cura mesmo, então me cura, e eu vou te servir, sem medir sacrifício.
  Levantei e fui embora.

  O irmão José Justino continua firme com o Senhor até hoje,  na época que ele pregou para mim era solteiro mas logo depois se casou na Igreja de Deus de Cumari Goiás com a irmã Selma, sendo o primeiro casamento realizado ali naquela igreja.



1º casamento da Igreja de Deus no Brasil em Cumari GO – Irmão José Justino de Almeida e irmã Selma



Irmão José Justino e sua família abençoada

  Depois de alguns anos mudaram-se para Catalão onde residem com seus quatro filhos abençoados: esposas de pastores e levitas ungidos do Senhor.


Irmão José Justino e sua esposa irmã Selma hoje


A Profecia
  Nessa mesma época havia um Senhor chamado Pedro Antão, que ia de trem de Goiandira para Cumari para levar ceia para Dona Leopoldina e suas filhas, sempre ele descia do trem de passageiro carregando uma malinha pequena.  Eu criticando o crente gritando:
__ Oh velho grande, de mala pequena...
  Sempre que ele ia eu o atormentava.  Então um dia ele parou olhou para mim e disse:
__ Um dia você também vai ser um velho grande de mala pequena...
  Depois de algum tempo me converti e fomos a Catalão, Aroldo e eu justamente na casa do velho Pedro Antão, tão logo entrei na casa ele me disse:
__ Eu não te falei que você ia ser um velho grande de mala pequena...
  Haroldo nada entendeu nada então contamos a história e Haroldo mandou que eu pedisse perdão a ele, o que obedeci prontamente... E hoje sou exatamente o que ele falou:
__Um velho grande, com mala pequena...


profecia cumprida! kkkkk








Olha só o talento de um dos filhos do irmão José Justino:
 

Capítulo 5


 O pesadelo
  Foi numa festa de Santa Cruz que eu senti algo estranho, tinha ido com o Sr. Bertoldo e seus filhos e filhas, ao meio dia soltavam foguetes depois da reza e todos iam almoçar, e como tinha muita gente estranha eu fiquei quieto não fui sentar-me a mesa, mas contaram para o Sr. Zeca Justino que eu estava com vergonha e ele veio e me levou para servir a comida, depois que me servi voltei a me encostar na cerca do curral onde estava antes.  Era uma cerca feita de lascas de aroeira. Mal me encostei na cerca senti um murro nas costas, foi tão forte que o meu prato voou longe jogando toda comida fora...  Fiquei assustado nem eu nem ninguém vimos nada! Eles disseram que lá era assim mesmo e mandaram que eu pusesse outra comida. Isso foi só o início do meu pesadelo...

Igreja de Santa Cruz (Capoeirão)

  No dia 13 de Janeiro de 1963, foi o dia mais horrível da minha vida.  Fui levar o meu sobrinho Nivaldo (filho da minha irmã mais velha Maria) para ver sua avó na Fazenda Lagoinha.  Na volta, passamos na casa do Messias (meu primo) chegando ali senti o mal da morte, desmaiei na porteira do curral, caí por terra e fiquei fora de mim por três horas mais ou menos.  Quando dei por mim, estava deitado no colo da Izelina esposa do meu primo. O Nivaldo e o João de Deus chorando.  Que tristeza para mim... Todas as pessoas da vizinhança preocupados... mas fomos embora...
  A partir daquele dia acabou minha alegria, sempre eu desmaiava.  Os médicos diagnosticaram: Epilepsia. Passei a tomar remédios controlados: Gardenal, Comital e tantos outros... Fiquei doente por cinco longos anos, no fundo do poço, numa amargura sem fim... Fiquei revoltado e cheguei por duas vezes a tentar o suicídio.
  Um dia fui para um lugar deserto chamado Poção e lá amarrei minha espingarda fazendo pontaria onde eu ia ficar, cortei um cipó e amarrei no gatilho para me detonar.  Na hora de morrer, tirei minhas botinas e resolvi rezar primeiro, fiz a oração do Pai Nosso e ouvi uma voz que me disse assim:
__ Não faça isso, você já perdeu tudo que tinha e agora vai perder também a sua alma.
  Desarmei a espingarda, dando o tiro para cima, calcei as botinas e fui embora triste, completamente triste.
  Sempre desmaiando perdi o prumo, fiquei sem destino, e passei a beber bebidas alcoólicas.
  Numa outra vez, pensei em pular na frente da locomotiva 444, mas na hora, ouvi novamente a voz dizendo: __ Pedro não faça isso, isto é pecado! E então desisti.
  E tomei uma decisão, falei para o Amauri (Tota meu primo, filho da tia Zulmira): __ Agora eu vou matar um, para eu ficar famoso.
Ele disse: __ Que isso Pedro, nossa família nunca fez tal coisa!
  O tempo foi passando, eu tinha dinheiro, tinha gado, tinha meus seis bois curraleiros pretos mascarados, mas tudo isso eu perdi.  Comecei a andar com maus elementos.
  Quando vieram de Minas a família do Neguinho Florindo eu me aliei a eles e formamos o bando dos quinze, e eu era o líder, eles me chamavam de Sócio.  Fizemos muitas proezas, até que o Ninos me disse:__ Vamos parar com isso.
  Agora, eu além de doente, já viciado na bebida, disposto a tudo com meus companheiros, não trabalhava mais, desde o dia 13 de janeiro de 1963 a 10 de outubro de 1967, descabriado, triste, perdido, mergulhado na amargura, andei muito procurando solução.
 De Curador em Curador, médico em médico, e nada de cura.  Até que um dia, em Araguari, Minas Gerais, No Hospital Santo Antônio, ouvi da boca do Dr. Belizário:
__ Pedro, não adianta mais, você não pode mais andar sozinho, vai morrer em casa, seus pulmões estão furados com tanto álcool, seu coração está tão fraco, como o motor de um jipe puxando uma carreta.   Eu fui embora.


O ladrão de lenha
  Depois que passei a sofre de epilepsia, eu não podia mais trabalhar, pois ficava desacordado por horas onde quer que eu estivesse...  Então resolvi comprar uma carroça para vender lenha junto com o meu pai, fizemos um deposito na beira do quintal, e logo começou a sumir lenha...  Resolvi descobrir que é que estava roubando nossa e acabar com tal ação.  Á noite finquei uma vara ao lado do monte de lenha e estendi um cordão de algodão, de forma que para pegar a lenha tinha que esbarrar no cordão. Pus um tiro mão travessa na espingarda a amarrei no pede manga com a boca para cima e passei o cordão no gatilho.  Quando foi lá pelas cinco horas da manhã veio o Hugo o meirinho da polícia (levava intimações) tirar leite na charqueada.  Ouvi o barulho de sua bota de borracha, e logo ouvi o tiro, ele havia ido pegar lenha como de costume para levar para uma senhora que ele gostava, e o tiro o fez se assustar e correr e eu corri para fora de casa para ver quem era.  E vinha voltando da Anhanguera a pé os senhores Geraldo Lizarda e Valdeberto Alves, que rapidamente disseram:
__ Oh, quem estava roubando lenha não é nós não é o Hugo!
  Nunca mais sumiu lenha da pia!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capítulo 4


Minha religiosidade
   Até ficar moço, fui Católico.   Fui Congregado Mariano, saudava com a saudação:
 __ Salve Maria!
  Depois fui Irmão Santíssimo e saudava:
 __ Salve Jesus!
  Mais tarde entrei na Congada com linhas cruzadas, e a nossa saudação era:
__ Saravá!
 Participei com o Sr. João Patrol de despachos em encruzilhadas, mas Deus não estava lá e a cura também não.
  Os padres Capuchinhos, Missão Nossa Senhora de Fátima queria me levar para Roma, mas minha mãe me fez desistir.
  Como é bom ser jovem, adquiri muitos amigos, às vezes bons, as vezes ruins...  Até hoje eu tenho um nome ruim devido o meu passado, mas Graças a Deus que eu não fiz mal a ninguém, nunca derramei sangue, nem estraguei famílias, mas andei com maus elementos que deixou em mim, esta nódea de mal: agressor, Pedro Cachaceiro, Pedro Garrucha, capitão de congo, Pedro viola etc...
  O indesejável Pedro do Urias deu muitos tiros, fez muito barulho, acabei com pagode na bala nos Tamarindos, mas mesmo assim o povo gostava de mim.  Mesmo sem juízo, cresci entre pessoas honestas e consegui superar as infâmias.
  Nunca pensei ser hoje o que sou passei por tanta coisa, mas Deus cuidou de mim.
  Eu, Pedro Antônio Lourenço da Silva, não tenho queixa em delegacia, nunca fui processado por nada, nunca fui testemunha de coisa alguma, sou um velho pacato, feliz com tudo o que Deus me fez.

Págs 33 e 34


A fábrica de cortiça
  Chegamos a Goiandira, Joãozinho e eu, procurando um barracão para montarmos uma fábrica de cortiça encontramos o Sr. Idelfonso Teles que nos ofereceu um barracão, velho abriu com dificuldade e eu perguntei se ele não tinha um metro para e medir o barracão. Ele mandou que o filho buscasse, medimos o barracão e perguntei se ele podia aumentar um pouco o barracão: uns dez metros na largura e quinze no comprimento ele disse que não podia, pois ficaria muito caro então resolvemos trazer a fábrica pequena se nosso negocio desse certo iríamos comprar o barracão para aumentarmos e instalarmos as máquinas grandes.  Fechamos o negócio do aluguel, fomos para a casa dele lanchamos, ele nos pediu que déssemos empregos para algumas pessoas de sua confiança, e ficou tratado que quinze dias voltaríamos de São Paulo com as máquinas... Bom o final você já sabe: sequer fomos a São Paulo, nunca tivemos fábrica de cortiça e até hoje não voltamos para cumprir o trato.


rolhas de cortiça

 
Extração da cortiça (Quercus Suber L.)



Comprando uma boiada
  Em Nova Aurora fizemos o compromisso com o Sr. Juarez de olharmos uma boiada, na quarta-feira no Areião, ele podia fechar o gado que nós vínhamos de carro de Uberlândia passando por Anhanguera às nove horas da manhã, nos encontraríamos na fazenda caverna... Não sei onde ele deixou a boiada...


A última arte
  Um dia fomos pescar no Córrego Gengibre e como não pegávamos nada resolvemos ir fazer arte nas terras do Sr. Trajano Costa com as coisas do Sr Divino Godoi: Eu, o Braz, o Joãozinho Evaristo... E voltando para casa saindo no Ribeirão, primeiro esparramamos o galão de 20 litros de graxa no chão dentro do rancho de cima, depois descemos um pouco e cortamos a cerca de arame em três lugares, depois jogamos a carpideira dentro de um poço fundo o trator do Senhor Divino Godoi estava sem partida e ficava em cima do morro, então fomos lá e tiramos à pedra que a calçava e destravamos o bruto e ele desceu a toda velocidade, e caiu no córrego, no brejo e ficou só com o cano do escapamento de fora.  O Sr. Cândido Antônio viu e contou para o Senhor Divino Godoi o que havíamos feito, mas se enganou dizendo que era eu o Braz e o Divo.  Registraram registrar queixa e o senhor Bertoldo recebeu a intimação, mas o Senhor Antônio Silva Leão estava lá e levou consigo o Dr. Naim Name até a delegacia e lá ficou provado que não podia ser o Divo, pois naquele dia, Divo estava em tratamento tinha ido ao médico livrando-nos assim da acusação.  Essa foi a nossa última arte ficamos com medo e paramos de aprontar.
trator

  Apesar de ter feito muita coisa errada, e feito minha mãe chorar muitas vezes, pois eu não pensava nas conseqüências de meus atos era sem juízo, sem medo... Mesmo assim todos gostavam de mim, mesmo assim Deus me amou, nos guardou de todo mal.